quarta-feira, novembro 30, 2005

Teu Mundo

Você tem um mundo,
Que está sendo habitado,
Tudo que nele acontece,
Deve por ti deve ser administrado.
Por ser um mundo,
Tem continentes fronteiras,
Cantos e recantos.
Pessoas habitam teu mundo,
Nem sempre pessoas certas,
O clima do mundo depende de ti,
Os habitantes com seus diferentes gostos
As vezes de te causam desgostos.
Fica difícil controlar quem nele quer habitar.
O mundo é teu, mas nem sempre podes controlar o vento,
E evitar tempestades,
Por não poder adivinhar dos habitantes pensamentos,
Nem controlar sinceridade,
Ou prevenir toda a maldade,
Tampouco dificuldades, criadas por falsidades.
Não é fácil manter teu mundo feliz,
A felicidade no teu mundo é importante,
Mas tenha sempre em mente,
Só dá felicidade que tem,
E quanto mais habitantes felizes,
Mas fácil fica, felicidade produzir,
Os habitantes precisam gostar do mundo,
Para tratá-lo bem.
Faço-os sempre entender,
Para ter o mundo feliz,
E preciso que o mundo esteja feliz também.

terça-feira, novembro 29, 2005

PROCURA

Há muito me procuras – cega busca
Passas por mim – não consegues me enxergar,
Olhas para grandes altitudes – estou na simplicidade,
Observa atentamente – vais me encontrar.
Estou no cheiro de orvalho matinal
Na úmida relva onde me sento a esperar,
Que os raios do novo dia – intensos,
Venha com seu calor meu corpo acariciar.
Estou no canto dos pássaros,
No mais melodioso – doce gorjear,
Estou na cor – no cheiro das flores,
Estou no perfume que inebria seu respirar.
Estou no céu de uma noite quente,
Estou em todas as estrelas – sou a luz
Estou no manto prata de um belo luar,
Estou nas pedras do caminho que te conduz.
Estou no sorriso da criança,
Na lágrima que declara a dor,
Estou no sopro de vento que te toca,
Estou em todos os gestos de amor.
Estou nos versos do poeta,
Estou nas notas da canção,
Sou a musa que inspira a paixão,
Sou os rompantes da tua emoção.
Estou no despertar de teu espírito,
Nos sonhos – na cálida madrugada,
Estou na sintonia de duas almas,
Estou aqui – estou acordada.
Procure-me – me encontre,
Ache-me – prenda-me a si,
Somente assim viveras em harmonia,
Sinta-me – estou dentro de ti.


larissa_filth

terça-feira, novembro 15, 2005

BEIJO ETERNO

Quero um beijo sem fim,
Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo!
Ferve-me o sangue. Acalma-o com o teu beijo,
Beija-me assim!
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para a minha vida,
Só para o meu amor!

Fora, repouse em paz
Dormida em calmo sono a calma natureza,
Ou se debata, das tormentas presa,
Beija inda mais!
E, enquanto o brando calor
Sinto em meu peito de teu seio,
Nossas bocas febris se unam com o mesmo anseio,
Com o mesmo ardente amor!

De arrebol a arrebol,
Vão-se os dias sem conto! e as noites, como os dias,
Sem conto vão-se, cálidas ou frias!
Rutile o sol
Esplêndido e abrasador!
No alto as estrelas coruscantes,
Tauxiando os largos céus, brilhem como diamantes!
Brilhe aqui dentro o amor!

Suceda a treva à luz!
Vele a noite de crepe a curva do horizonte;
Em véus de opala a madrugada aponte
Nos céus azuis,
E Vênus, como uma flor,
Brilhe, a sorrir, do ocaso à porta,
Brilhe à porta do oriente! A treva e a luz - que importa?

sexta-feira, novembro 11, 2005

O Vampiro

Tu que, como uma punhalada,
Entraste em meu coração triste;
Tu que, forte como manada
De demônios, louca surgiste,

Para no espírito humilhado
Encontrar o leito e o ascendente;
- Infame a que eu estou atado
Tal como o forçado à corrente,

Como ao baralho o jogador,
Como à garrafa o borrachão,
Como os vermes a podridão,
- Maldita sejas, como for!

Implorei ao punhal veloz
Que me concedesse a alforria,
Disse após ao veneno atroz
Que me amparasse a covardia.

Ah! pobre! o veneno e o punhal
isseram-me de ar zombeteiro:
"Ninguém te livrará afinal
De teu maldito cativeiro.

Ah! imbecil - de teu retiro
Se te livrássemos um dia,
Teu beijo ressuscitaria
O cadáver de teu vampiro!"